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sábado, 8 de janeiro de 2011

De onde vem tanta crueldade?

Uma das marcas mais chocantes da personalidade humana é a crueldade. Basta prestar um pouco de atenção nos noticiários, nas pessoas à nossa volta e em nós mesmos.

Veja nos campos de futebol, ou em qualquer competição esportiva, onde as emoções ficam mais afloradas. Perceba também nos locais de trabalho, nas salas de aula. Em todos os casos, os que se saem bem das competições se sentem mais fortes, mais poderosos, mais espertos. Um prazer que, não raras vezes, extrapola os limites da sensação pessoal e se transforma em ações abertas de chacota e de humilhação contra os que não tiveram a mesma sorte.

E existem outras crueldades nem sempre percebidas como tal. Negar esforços para ensinar a ler e a escrever os que não sabem, escondendo deles o mundo e os direitos que têm, não é uma crueldade abominável? Não é crueldade dos professores, quando dão aulas de péssima qualidade aos estudantes justificando baixos salários, roubando-lhes o direito de aprender no tempo adequado os conhecimentos que farão falta no futuro? E quando se nega direito à vida aos animais, e quando se encara a violência contra eles como algo de menor gravidade do que maltratar os seres humanos? O que dizer dos médicos que não comparecem nos horários certos aos seus locais trabalhos abandonando pacientes? E dos políticos que desviam recursos públicos que deveriam ser destinados ao bem-estar de uma nação? É tudo crueldade, uma crueldade sem fim.

O ser humano é cruel nas relações com todas as vidas, inclusive com as vidas humanas. Não nasce assim, aprende a ser assim. É bom relembrarmos o óbvio. A crueldade é indiretamente proporcional ao espírito de solidariedade, à capacidade de enxergar o outro, à forma generosa de ver a vida. Como desejarmos um mundo melhor, se praticamos ações de crueldade todos os dias? É bom ter o termômetro dos opostos sempre à vista: mais crueldade, menos solidariedade, menos paz. Porque o discurso tão comum sobre a paz e contra a violência não tem a mínima eficácia diante do hábito da crueldade.

De onde vem tanta crueldade? Desde a infância aprendemos que devemos vencer sempre e, para vencer, somos lembrados permanentemente para não sermos perdedores, como alguém que tem nome e sobrenome. Você vai ficar que nem o fulano! Na escola, zoamos os feios, gordinhos, damos apelidos humilhantes aos colegas. Não é por acaso que bullying é corrente até nos locais de trabalho. A crueldade cresce de forma abundante no mundo contemporâneo movido a espírito egocêntrico.

Porque o que importa é vencer, mesmo que muitas vezes tenha que ser de forma ilegítima. Na sociedade individualista e competitiva é assim. Somos treinados para sermos assim. É fácil saber de onde vem a crueldade. Vem da educação que recebemos e, na vida adulta, quando já temos capacidade de discernir, do modelo de vida que escolhemos.

Mas como não se nasce já munido de crueldade, a não ser em casos de doença, ainda há esperanças. Não é fácil mudar a relação com todas as coisas da vida, é verdade. Entretanto, como a crueldade é algo que se aprende, a notícia maravilhosa é que podemos desaprendê-la se quisermos. Isso significa que ainda podemos ter um mundo melhor e uma vida de paz.

É mais simples do que parece. É só querer e começar sem esperar a iniciativa dos outros. Mesmo que seja sozinho. Para isso, existem algumas reflexões muito importantes para começar. Por exemplo: por que ainda não começamos a nos reeducar, abandonando as atitudes cruéis que praticamos no cotidiano? Um mundo melhor e a vida de paz não valem esse esforço? Se vamos continuar matando os seres vivos para nos alimentar, festejando o sofrimento dos animais nos rodeios, abandonando os cachorros e gatos, abandonando as crianças, os doentes, os famintos, os jovens, então para que perdermos tempo pregando a paz que não queremos, ou queremos só pela metade?

Não existe meia paz, meia violência, meia guerra, meio assassinato, meio crime. A maior desgraça para nós mesmos, e para as futuras gerações, é fazermos de conta que não praticamos crueldade todos os dias. É fazermos de conta que crueldade é dos outros e não está à nossa mesa, nem nas nossa relações e atitudes.

Fonte: http://www.anda.jor.br/2011/01/08/de-onde-vem-tanta-crueldade/


domingo, 21 de novembro de 2010

Os 10 mandamentos do pronto-socorro

  1. Se você não sabe o que o paciente tem, dê Voltaren;
  2. Se você não entende o que viu, dê Benzetacil;
  3. Caiu e passou mal, dê Gardenal;
  4. Tá com uma dor bem grandona, dê Dipirona;
  5. Se você não sabe o que é bom, dê Decadron;
  6. Vomitou tudo que ingeriu, dê Plasil;
  7. A pressão subiu? Dê Captopril;
  8. Chegou morrendo de choro, ponha no soro;
  9. Arritmia doidona, dê Amiodarona;
  10. Pelo não, pelo sim, dê Rocefin...
Fonte: www.mediconerd.com

domingo, 24 de outubro de 2010

Porto Alegre é a capital brasileira com maior taxa de suicídios

A liderança do Rio Grande do Sul no ranking de ocorrências de suicídios no País levou autoridades de saúde a se reunirem, ontem (30), em Porto Alegre, para definir o conteúdo de um manual de prevenção aos crimes contra a própria vida, ainda em fase de elaboração.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, somente em 2008, 1.158 suicídios foram registrados no Estado. Entres as Capitais brasileiras, Porto Alegre tem o mais alto índice. Proporcionalmente, cinco municípios do Interior tem os maiores níveis: Santa Rosa, Venâncio Aires, São Lourenço do Sul, Candelária e Santiago. As informações são do programa do jornalista Clovis Duarte, transmitido pela Tv Pampa, de Porto Alegre.

"Nestas cidades, a quantidade de casos destoa da média nacional e alcança patamares semelhentes aos de nações como o Japão, onde historicamente o número de suicídios é recorde", revelou o coordenador do Centro de Promoção da Vida do Estado, psiquiatra Ricardo Nogueira. Segundo ele, fatores econômicos, emocionais, familiares e genéticos podem explicar os motivos para o RS enfrentar o problema.

Ele salientou que "na lista dos municípios com as taxas mais altas, há certa predominância de pessoas com etnias germânicas ou italianas, a exemplo de Venâncio Aires, Candelária, e Santa Rosa, mas não há comprovações científicas de que isto seja determinante".

Outra coincidência que pode dar pistas aos especialistas é o fato de os índices mais elevados de suicídios estarem em cidades com intensa produção de tabaco, no Vale do Rio Pardo. "Temos informações de que inúmeras mortes deste tipo ocorreram em Arapiraca, no Estado de Alagoas, onde também há presença forte de fumicultores", relatou Nogueira. A suspeita é que o uso de agrotóxicos possa ter provocado sintomas de depressão em agricultores.

Apesar de liderar o ranking de suicídios entre as capitais de Estados brasileiros, Porto Alegre, proporcionalmente, tem índice de mortes do gênero menores em comparação com municípios do Interior. Contudo, nos quatro anos, aumentou expressivamente o número de casos entre jovens de 15 a 29 anos. A epidemia do crack e o consumo excessivo de álcool podem estar por trás da maioria dos óbitos.

Um manual de prevenção aos suicídios deve ser distribuido pelo governo estadual a partir de novembro. A meta é reduzir o número de mortes em pelo menos 20% nos próximos dois anos.

Fonte: http://www.jusbrasil.com.br

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Aprovado medicamento genérico de uso veterinário

Inspirada na lei de 1999 que instituiu o medicamento genérico de uso humano no país, proposta que cria um sistema semelhante para os medicamentos de uso veterinário foi aprovada nesta quarta-feira (1º) pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

A matéria deverá seguir para exame do Plenário com requerimento para votação em regime de urgência.


O texto é um substitutivo da senadora Níura Demarchi (PSDB-SC) a três projetos que tramitam em conjunto tratando do assunto. Ela opinou pela prejudicialidade do PLS 209/02 e do PLC 39/06 e apresentou uma emenda substitutiva ao PLC 3/05, que tem preferência regimental.
O texto modifica a lei que trata da fiscalização de produtos de uso veterinário (Decreto-Lei 467 de 1969). Segundo a relatora, os impactos esperados da entrada dos medicamentos genéricos de uso veterinário no mercado brasileiro são a redução de preços, a maior confiabilidade dos produtos, o aumento da concorrência entre os fabricantes e o impulso à produção nacional.

Ela afirmou também que o barateamento desses medicamentos poderá resultar em um melhor cuidado dos animais o que se traduzirá em menor risco de exposição das pessoas às doenças oriundas dos animais.


De acordo com o substitutivo aprovado, medicamento genérico de uso veterinário é aquele que contém os mesmos princípios ativos que o medicamento de referência de uso veterinário, com a mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica, podendo ser com este intercambiável.


Devem ser comprovadas a sua bioequivalência, eficácia e segurança com o medicamento de referência por meio de estudos farmacêuticos. Esses medicamentos devem ser sempre designados pela Denominação Comum Brasileira (DCB), ou seja, aquela que deve ser aprovada por órgão federal competente, ou, na sua ausência, pela Denominação Comum Internacional, ou seja, aquela que é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).


Para registro desses medicamentos junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, deverão ser comprovados os requisitos de bioequivalência em relação ao medicamento de referência, a equivalência terapêutica nas espécies animais a que se destina, além de taxa de excreção, determinação de resíduos e período de carência equivalentes aos do medicamento de referência.


O texto aprovado determina ainda prioridade para o medicamento genérico de uso veterinário nas aquisições do setor público e autoriza o Ministério da Agricultura a adotar medidas especiais relacionadas ao registro, à fabricação, à tributação e à distribuição com a finalidade de estimular o uso do genérico veterinário no país.

Os senadores Augusto Botelho (sem partido-RR), Flávio Arns (PSDB-PR), Marisa Serrano (PSDB-MS) e Rosalba Ciarlini (DEM-RN) destacaram a importância da aprovação da proposta para o setor agropecuário.

Fonte:http://www.senado.gov.br/noticias/verNoticia.aspx?codNoticia=104238

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sinal de Babinski em representações artísticas do menino Jesus

O sinal de Babinski, observado quando há a extensão do hálux e a abertura em leque dos dedos em decorrência de um estímulo na planta do pé, foi descrito inicialmente por Joseph Jules François Félix Babinski (1903), neurologista que lhe dá o nome como indicativo de lesão neurológica.

A presença do sinal representa a desinibição do relexo espinal normal decorrente de lesão das vias inibitórias descendentes desde o cérebro ou medula espinal.


Clinicamente, o sinal de Babinski é produzido passando-se cuidadosamente na parte lateral do pé um objeto de ponta arredondada e estendendo o estímulo discretamente para o aspecto medial através da área metatársica. A resposta positiva tem dois componentes: dorsiflexão do hálux e abdução discreta (abertura em leque) dos outros artelhos. No relexo normal, observado nas crianças com mais de dois anos e nos adultos, há a flexão plantar dos dedos do pé em resposta ao estímulo.



Grandes artistas, provando possuírem uma capacidade singular de observação, representaram a presença do sinal de Babinski no menino Jesus:






Fonte: A arte da Medicina

Síndrome do Túnel do Carpo

A síndrome do túnel do carpo é caracterizada por dor, alterações da sensibilidade ou formigamentos no punho, geralmente associada com movimentos manuais inadequados ou repetitivos. Alguns casos de síndrome do túnel do carpo não parecem relacionados a qualquer causa específica, mas quem apresenta distúrbios que interferem com a circulação e a oferta de oxigênio aos nervos dessa região tem maior risco de desenvolver a síndrome. Ela resulta da compressão do nervo mediano, responsável pela sensibilidade e motricidade do polegar e de alguns dedos e músculos da mão. Esse nervo, juntamente com os nove tendões que permitem os movimentos dos dedos da mão, passa através de um túnel encontrado na base do punho. A porção superior desse túnel é formada por um tecido conjuntivo resistente, denominado ligamento.

A síndrome do túnel do carpo não é uma doença nova, apenas está se tornando mais comum nos últimos anos. Há doze anos, as lesões por esforço repetitivo eram responsáveis por 18% de todas as doenças ocupacionais; em 1991, esse número aumentou para 48%. Com a máquina de escrever, era necessário fazer pequenos intervalos para as correções, colocar e retirar o papel e procurar a grafia correta de uma palavra. Essas funções desapareceram com o computador, de modo que permanecer sentado diante dele durante um período prolongado significa manter os punhos trabalhando sem parar e sem mudar de posição.

Os movimentos repetidos sem o tempo adequado de recuperação são responsáveis pela inflamação e edema do túnel do carpo. Na síndrome do túnel do carpo, os tendões são irritados e edemaciam, empurrando o nervo mediano em direção a esse ligamento e causando dor nessa região.

Síndrome do Túnel do Carpo

Síndrome do túnel do carpo é o nome referido a uma doença que ocorre quando o nervo que passa na região do punho (nervo mediano) fica submetido à compressão. Na maioria dos casos essa compressão do nervo na região do punho (“nervo preso”) deve-se ao estreitamento no seu canal de passagem por inflamação crônica não específica dos tendões que também passam por esse canal. Em outros casos com menor freqüência podem existir doenças associadas comprimindo o nervo. É importante ressaltar que mulheres grávidas podem ter sintomas da doença ocasionados por edema (“inchaço”) próprio da gravidez; na maioria dos casos os sintomas desaparecem após o parto podendo reaparecer muitos anos mais tarde. Algumas atividades profissionais que envolvem flexão contínua dos dedos (exemplo ordenha de leite) podem desencadear sintomas de compressão do nervo.

O túnel do carpo localiza-se logo abaixo do Palmar longo sendo delimitado por quatro proeminências ósseas: Proximalmente pelo Pisiforme e Tubérculo do Escafóide e distalmente pelo Hâmulo do Hamato e pelo tubérculo do Trapézio. Este túnel conduz o nervo Mediano e os tendões flexores dos dedos deste o antebraço até a mão.

A compressão do túnel carpal pode ser resultante de vários fatores, tais como: deslocamento anterior do osso semilunar, intumescência secundária a fratura de Colles (fratura de extremidade distal do rádio), sinovites secundárias a artrite reumatóide ou devidas a qualquer outra causa capaz de provocar edema devido a traumas que acometam o punho, como entorses, e uma grande variedade de doenças sistêmicas, como o mixedema e a doença de Paget.

Esta afecção pode ocorrer em mulheres entre 40 e 50 anos de idade e a causa mais freqüente é devido a alterações em tecidos moles, particularmente inflamação da bainha sinovial que acaba comprimindo o nervo mediano.

Nervo Mediano

O nervo mediano supre a porção radial da palma e as superfícies palmares dos dedos polegar, índice e médio; ele, por vezes, também supre o dorso das falanges distais destes dedos. Ele também inerva a cútis palmar da extremidade distal do dedo.

Causas conhecidas

Várias são as causas de aumento das estruturas que passam pelo Túnel do Carpo. Algumas das causas que podem desencadear a doença são: trabalho manual com movimentos repetidos, pessoas que não fazem trabalhos manuais, tem associação com alterações hormonais como menopausa e gravidez (geralmente desaparece ao fim da gravidez); fato que explica o porque de haver mais mulheres acometidas que homens. Outras doenças associadas são diabetes mellitus, artrite reumatóide, doenças da tireóide e causas desconhecidas.

Sinais e sintomas

Dor ou dormência à noite nas mãos, principalmente após uso intensivo destas durante o dia. A dor pode ser intensa a ponto de acordar o paciente. Ocorre diminuição da sensação dos dedos, com exceção do dedo mínimo e sensação de sudorese nas mãos. A dor pode ir para o braço e até o ombro. Atividades que promovem a flexão do punho por longo período podem aumentar a dor. Com a perda da sensação nos dedos, pode haver dificuldade de amarrar os sapatos e pegar objetos. Algumas pessoas podem apresentar até dificuldade de distinguir o quente e o frio.

Também são freqüentes as sensações de choques em determinadas posições da mão como segurar um objeto com força, segurar volante do carro ou descascar frutas e legumes. Com muita freqüência as pessoas imaginam que estão tendo “derrame” ou “problemas de circulação” procurando assistência médica especializada nessa área. Esses sintomas de dormência e formigamento podem melhorar e piorar ao longo de meses ou até anos, fazendo com que o diagnóstico preciso e correto seja retardado.



Características Clínicas

A perda da sensibilidade anestesia o lado externo da palma da mão e da superfície palmar do polegar, indicador, médio e metade do dedo anular. Às vezes há distúrbio em vez de perda de sensibilidade, que pode causar hiperestesia (sensação de formigamento) e dor. As alterações tróficas podem ser aparentes nesta afecção.

Os movimentos repetidos sem o tempo adequado de recuperação são responsáveis pela inflamação e edema do túnel do carpo. Demonstrou-se que mais de oito ou nove repetições por minuto impedem o punho de ter tempo suficiente para produzir o fluido lubrificante da articulação. O atrito subseqüente, na ausência de lubrificação, causa edema e lesões. O tecido lesado e edemaciado passa a exercer pressão sobre o nervo mediano do túnel do carpo. Com o tempo, essa pressão provoca atrofia do nervo e dos músculos do polegar e dos três primeiros dedos (inervados por ele). A(s) mão(s) perde(m) parte de suas funções, e a pessoa pode apresentar déficits irreversíveis.

Diagnóstico

O diagnóstico da síndrome do túnel do carpo é baseado nos sintomas característicos e na comprovação da compressão do nervo por um exame chamado eletroneuromiografia; nesse exame os nervos do antebraço, punho e dedos são estimulados por choques de pequena intensidade sendo o resultado medido na tela do aparelho.

A confirmação do diagnóstico de síndrome do túnel do carpo pode ser obtica quando a percussão sobre a projeção do ligamento carpal volar é capaz de reproduzir a dor (sinal de tinel).

Os sintomas comuns a síndrome, como parestesias dos dedos, podem ser reproduzidos mediante a flexão máxima do punho e a manutenção do mesmo nesta posição por no mínimo um minuto (teste de Phalen).

Prevenção

Não existe medida preventiva concreta para a Síndrome do Túnel do Carpo, mas as pessoas devem se policiar a não realizar tarefas repetitivas de flexão do punho.

Porém o uso de suplementos de vitamina B6 têm diminuído bastante os sinais e sintomas de alguns pacientes, principalmente daqueles com maior carência dessa vitamina – as gestantes e as mulheres que utilizam anticoncepcionais orais, por exemplo. Para indivíduos sem esse risco, entretanto, não existem evidências sobre a eficácia desses suplementos. A dose habitual é de 50-100mg por dia, durante pelo menos um mês. Os anti-inflamatórios orais, e em casos mais severos os corticosteróides orais ou injetáveis, podem ser utilizados. Quando essas drogas não conseguem controlar o quadro, a cirurgia torna-se a opção disponível. Cortando o ligamento na base da palma da mão, o cirurgião reduz a pressão exercida sobre o nervo. Entretanto, os sintomas podem voltar se o indivíduo continuar realizando movimentos inadequados.

Orientação médica

Caso os sintomas persistam por alguns dias, deve-se procurar um ortopedista para ser examinado, e podendo ser solicitado alguns exames, para confirmar o diagnóstico e iniciado o tratamento, menores serão as chances de precisar operar.

O tratamento conservador pode ser feito desde com anti-inflamatórios e imobilização até injeção de corticóide. A maioria das pessoas responde ao tratamento conservador, sendo o tratamento cirúrgico para os casos refratários ao tratamento clínico.

Tratamento

Inicialmente, podemos orientar o uso de splints como forma de imobilização da região do punho com tala facilmente colocada ou retirada com velcro. Caso os sintomas persistam, o tratamento fisioterápico será essencial.

A diminuição do edema gerado pela inflamação das estruturas vizinhas ao nervo mediano deverá ser o primeiro objetivo do tratamento fisioterápico (a tendinite é a principal causa) por isso devemos utilizar o ultra-som que possui princípios analgésicos e anti-inflamatórios acompanhados de manipulações da região acometida.

A orientação quanto as atividades da vida diária (AVDs) devem ser dadas privilegiando a biomecânica funcional do membro.

Exercícios de alongamento dos flexores dos dedos e do punho sob orientação do profissional são benéficos para melhorar a função e aumentar a formação de líquido sinovial auxiliando com isso, a lubrificação dos tendões, bainhas e fáscias adjacentes (tendões lubrificados diminuem o atrito entre as bainhas evitando a inflamação).

O mais importante é fazer intervalos durante a digitação, diversificar os trabalhos e manter uma postura adequada. A prevenção é o melhor remédio.

Fonte: fisioWeb

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Blogagem coletiva - Cor vermelha - Doação de sangue e medula

Olá povo!

Hoje é dia de blogagem coletiva, iniciativa muito legal do blog
café com bolo, e a cor desta segunda-feira é a vermelha ou vinho.

Tenho trazido nestas postagens da blogagem assuntos de utilidade pública relacionados à saúde (já que é minha área de maior interesse) e mais algum texto pessoal.


Para a cor vermelha escolhi, por questões óbvias, escrever sobre doação de sangue e medula óssea e já fazer um apelo para que as todos façam sua parte em consideração e respeito ao próximo.


Eu já tive um caso na família de alguém que precisou de sangue e medula.


Meu tio na época tinha 29 anos e descobriu que tinha leocemia, ao mesmo tempo que veio a surpresa de estar a espera de sua primeira filha com sua esposa.


Eu era pequena, devia ter no máximo 9 anos, então nem posso dar um depoimento preciso de toda situação, mas me lembro muito bem de todo o desespero da família, os olhares de tristeza da minha avó, dos meus tios e meu pai - irmão- e toda aquela ansiedade por melhores notícias.


Ele precisou de sangue e recebeu doações. Medula também, mas até onde eu sei ninguém dos parentes foi compatível com ele e acabou não conseguindo. E naquela época era pouquíssimo provável que existisse bancos de medula óssea como hoje.


Infelizmente, ele acabou falecendo. Não só pela leucemia mas porque acabou contraindo outros problemas durantes as transfusões, que acabaram baixando AINDA mais sua imunidade.


Gente, só não entro em detalhes porque esta história não é minha, e algumas pessoas podem se chatear comigo por falar sobre suas vidas...


Mas a questão é a importância vital do sangue e medula compatível. A importância de ter uma sobrevida e esperança quando se tem uma doença ou se passa por algum acidente. E é algo tão simples para nós, que temos saúde física e mental, que é muito egoísmo não fazer isso.

Orientações para doadores de sangue

Há critérios que permitem ou que impedem uma doação de sangue, que são determinados por normas técnicas do Ministério da Saúde, e visam à proteção ao doador e a segurança de quem vai receber o sangue.

O doador deve...
- trazer documento oficial de identidade com foto (identidade, carteira de trabalho, certificado de reservista, carteira do conselho profissional ou carteira nacional de habilitação);
- estar bem de saúde;
- ter entre 18 e 65 anos;
- pesar mais de 50Kg;
- não estar em jejum; evitar apenas alimentos gordurosos nas 4 horas que antecedem a doação.

Impedimentos temporários
- Febre
- Gripe ou resfriado
- Gravidez
- Puerpério: parto normal, 90 dias; cesariana, 180 dias
- Uso de alguns medicamentos
- Pessoas que adotaram comportamento de risco para doenças sexualmente transmissíveis

Cirurgias e prazos de impedimentos
- Extração dentária: 72 horas
- Apendicite, hérnia, amigdalectomia, varizes: 3 meses
- Colecistectomia, histerectomia, nefrectomia, redução de fraturas, politraumatismos sem seqüelas graves, tireoidectomia, colectomia: 6 meses
- Ingestão de bebida alcoólica no dia da doação
- Transfusão de sangue: 1 ano
- Tatuagem: 1 ano
- Vacinação: o tempo de impedimento varia de acordo com o tipo de vacina

Impedimentos definitivos
- Hepatite após os 10 anos de idade
- Evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças transmissíveis pelo sangue: hepatites B e C, AIDS (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas
- Uso de drogas ilícitas injetáveis
- Malária

Intervalos para doação
- Homens: 60 dias (até 4 doações por ano)
- Mulheres: 90 dias (até 3 doações por ano)

Doe sangue com responsabilidade
Você sabe o que é
janela imunológica? É o período entre a contaminação da pessoa por um determinado agente infeccioso (HIV, hepatite...) e a sua detecção nos exames laboratoriais.

No período da janela imunológica, os exames são negativos, mas mesmo assim o sangue doado é capaz de transmitir o agente infeccioso aos pacientes que o receberem.

A sinceridade ao responder as perguntas do questionário que antecede a doação é importante para evitar a transmissão de doenças aos pacientes.

Nunca doe sangue se você quiser apenas fazer um exame para AIDS. Neste caso, procure um Centro de Testagem Anônima e gratuita.

Informe-se pelo Disque-Saúde: 0800-61-1997 ou pelos Centros de Testagem Anônima.

Cuidados pós-doação
- Evitar esforços físicos exagerados por pelo menos 12 horas
- Aumentar a ingestão de líquidos
- Não fumar por cerca de 2 horas
- Evitar bebidas alcóolicas por 12 horas
- Manter o curativo no local da punção por pelo menos de 4 horas
- Não dirigir veículos de grande porte, trabalhar em andaimes, praticar paraquedismo ou mergulho

Em caso de dúvidas, entrar em contato com o Serviço de Hemoterapia do INCA pelo telefone
2506-6021 / 2506-6580 / 2506-6064.

Informações sobre a Doação de Medula Óssea

Passo a passo para se tornar um doador

• Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde poderá doar medula óssea. Esta é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções, e se recompõe em apenas 15 dias.

• Os doadores preenchem um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue com 5ml para testes. Estes testes determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente.

• Os dados pessoais e os resultados dos testes são armazenados em um sistema informatizado que realiza o cruzamento com dados dos pacientes que estão necessitando de um transplante.

• Em caso de compatibilidade com um paciente, o doador é então chamado para exames complementares e para realizar a doação.

• Tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade entre as células do doador e do receptor. A chance de encontrar uma medula compatível é, em média, de UMA EM CEM MIL!

• Por isso, são organizados Registros de Doadores Voluntários de Medula Óssea, cuja função é cadastrar pessoas dispostas a doar. Quando um paciente necessita de transplante e não possui um doador na família, esse cadastro é consultado. Se for encontrado um doador compatível, ele será convidado a fazer a doação.

• Para o doador, a doação será apenas um incômodo passageiro. Para o doente, será a diferença entre a vida e a morte.

• A doação de medula óssea é um gesto de solidariedade e de amor ao próximo.

• É muito importante que sejam mantidos atualizados os dados cadastrais para facilitar e agilizar a chamada do doador no momento exato. Para atualizar o cadastro, basta que o doador ligue para (21) 3970-4100 ou envie um e-mail para redome@inca.gov.br.

Caso você decida doar

1. Você precisa ter entre 18 e 55 anos de idade e estar em bom estado geral de saúde (não ter doença infecciosa ou incapacitante).

2. Onde e quando doar
É possível se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos Hemocentros nos estados. No Rio de Janeiro, além do Hemorio, o INCA também faz a coleta de sangue e o cadastramento de doadores voluntários de medula óssea de segunda a sexta-feira, de 7h30 às 14h30, e aos sábados, de 8h às 12h. Não é necessário agendamento. Para mais informações, ligue para (21) 2506-6064.

3. Como é feita a doação
S
erá retirada por sua veia uma pequena quantidade de sangue (5ml) e preenchida uma ficha com informações pessoais.

Seu sangue será tipificado por exame de histocompatibilidade (HLA), que é um teste de laboratório para identificar suas características genéticas que podem influenciar no transplante. Seu tipo de HLA será incluído no cadastro.

Seus dados serão cruzados com os dos pacientes que precisam de transplante de medula óssea constantemente. Se você for compatível com algum paciente, outros exames de sangue serão necessários.

Se a compatibilidade for confirmada, você será consultado para confirmar que deseja realizar a doação. Seu atual estado de saúde será avaliado.

A doação é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação por um mínimo de 24 horas. Nos primeiros três dias após a doação pode haver desconforto localizado, de leve a moderado, que pode ser amenizado com o uso de analgésicos e medidas simples. Normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana.

Importante
Um doador de medula óssea deve manter seu cadastro sempre atualizado. Caso haja alguma mudança, a pessoa deve entrar em contato com o REDOME: (21) 3970-4100 / redome@inca.gov.br.

O Transplante de Medula Óssea é a única esperança de cura para muitos portadores de leucemias e outras doenças do sangue.

Fonte: INCA


domingo, 11 de abril de 2010

Blogagem coletiva - Cor azul - As pílulas azuis - Meu sono é azul

Olá!

Estou participando pela segunda da blogagem coletiva realizado pelo Blog Café com Bolo. A cor desta segunda é a azul.


Resolvi falar um pouquinho sobre as super atuais pílulas azuis - o famoso Viagra.


A impotência sexual masculina é um problema bem comum entre a população após os 40 anos, mas não se restringe somente a terceira idade. Conforme estatísticas da Sociedade Brasileira de Urologia, 35% dos brasileiros entre 18 e 40 anos apresentam o distúrbio em algum grau. E hoje, com uma abertura muito maior tanto na mídia quanto no dia-a-dia das pessoas, tem sido mais falado e discutido sobre este assunto.


A falta da ereção em um homem, pode se comparada a peruca de Sansão: sem ela há a fraqueza e vulnerabilidade. Então a milagrosa pilulazinha vem para solucionar o que antes parecia não ter volta, devolvendo não somente o sexo ao homem (e para a mulher), mas a masculinidade e auto-estima.


Os homens assim como as mulheres, apesar da grande maioria afirmar o contrário, também desenvolvem problemas de saúde por questões emocionais. Separação, desemprego, dificuldades financeiras e o fato de o homem ganhar menos do que a mulher, em caso de um casal, são as questões que mais abalam a auto-estima masculina. Quando isso acontece, em seguida é comum surgir a disfunção erétil. O alto nível de stress, cansaço, tabagismo, alcoolismo e cobrança por um desempenho extraordinário, principalmente quando a parceira é mais nova, também causam o problema.

O viagra muitas vezes acaba sendo um apoio emocional pois muitos indivíduos apenas pelo fato de ter no bolso o medicamento, já conseguem desempenhar atividades sexuais normais mesmo sem a ingestão do mesmo.


A ressalta de alguns especialistas da área é para não confundir uma disfunção erétil com falta de desejo, que no caso de casais ocorre com muita frequência. Também deixam bem claro que o medicamento não funciona como afrodisíaco, pois não aumenta a libido.


Há mulheres que preferem que seus maridos permaneçam falhando sexualmente com medo que haja adultério. O Viagra não produz infidelidade mas favorece os homens predispostos a este comportamento, então certamente uma mulher que prefere que seu homem continue a falhar precisa trabalhar sua sexualidade e o gosto pelo prazer.


Tanto a pílula anticoncepcional como o Viagra podem ser considerados revolucões sexuais e socias. A pílula promoveu a autonomia da mulher. O Viagra fez com que o homem prestasse mais atenção na saúde e devolveu a ereção para quem não tinha, o que é maravilhoso.

Obs: Como MUITO BEM lembrado pela amiga Luma Rosa e esquecido de ser postado por mim, consulte seu médico antes de tomar qualquer medicamento.


Fontes:
Bula Viagra, Revista Claudia .

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Meu sono é azul!

Em épocas mais conturbadas de faculdade sofro com o estresse e a ansiedade. Tanto que acabei adquirindo uma insônia por ansiedade. Não conseguia dormir direito de jeito algum por meses com medo de não acordar e perder a aula que eu podia assistir graças a muitoooo esforço e sacrifício do meu pai.

O que aconteceu foi que eu passei a dormir em média 2 ou 3 horas por noite, e acordava com qualquer coisa.
O sono simplesmente não vinha e quando vinha era sem qualidade.

Mas viver desta maneira não estava sendo nenhum pouco saudável, e muito menos proveitoso para meus estudos.


Então um dia descobri que se eu me imaginasse em uma situação em que me sentisse relaxada e confortável o sono viria mais rápido. Mas não é só imaginar, tem que sentir o determinado momento como se estivesse o vivenciando.


Meu sono é azul
porque minha imaginação voa até uma praia lindaaaaaa. Areia braquinha, sol morno, vento leve. Enxergo meus pés nesta areia, sinto o sol esquentando minha pele e esfriando com a brisa. Na minha frente há um infinito azul. Céu e mar se misturam no horizonte, e parecem estar tão próximo de mim.


O sono começa a vir.

Vou adormecendo e deixando minhas pegadas na areia molhada.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Blogagem coletiva - Colorindo (e espalhando) a vida - Cor rosa - Câncer de Mama

Olá pessoas!

Fui convidada pela minha sogrita do Blog da Marli a participar da blogagem coletiva, iniciativa muito bacana da Glorinha, do blog Café com Bolo.

A cor desta semana é a rosa, e a associei à saúde da mulher, mais precisamente a este assunto tão temido para tantas mulheres, o Câncer da Mama.

Acho que sou uma ótima pessoa para dar um relato sobre isso, pois tive o convívio lado-a-lado com este inimigo oculto. Não. Não fui eu que tive.

Para quem não sabe, perdi minha mãe de câncer aos 39 anos de idade. A primeira vez que o maldito apareceu foi na mama, maligno, ainda em torno do seus 30 anos.

Houve a estirpação total da mama, as muitas plásticas, as diversas sessões de quimioterapia, afim de destruir as células cancerígenas, destruindo muito mais do que isso... Destruiu o ânimo, destruiu a paciência, a feminilidade. Ah, a feminilidade! O quanto isso machucou perder. Perder o cabelo, a pele macia, os olhos brilhantes de um azul profundo.

Mas tudo passou. O cabelo cresceu, o pessimismo deu lugar a esperança, e a esperança se misturava com um tanto de receio.

Um certo dia o Dr. disse que tudo estava ótimo, e que o perigo antes eminente havia passado.

Sensação de alívio. Indas e vindas de médicos e exames agora apenas de ano em ano. E tudo permaneceu tranquilo mais uns aninhos. Dois pra ser mais exata.

Então em um exame de rotina padrão descobriu-se algo no fígado.
Ninguém queria falar a verdade pois sabia que naquele caso a verdade a mataria mais rápido.

Hepatite, foi a explicação dada ao amarelão da pele e dos olhos, e mais tarde a uma magresa cadavérica que tirou toda sua jovialidade aparente.


Mas foi tudo tão rápido desta vez. Não tinha mais o que se fazer...


Isso foi a pouco mais de 10 anos atrás.

Este post tem o objetivo além de trazer este meu relato como filha, passar um pouquinho mais de informação. E isso faço como mulher e como futura médica.

Segue um texto informativo do INCA.

O câncer de mama é provavelmente o mais temido pelas mulheres, devido à sua alta freqüência e sobretudo pelos seus efeitos psicológicos, que afetam a percepção da sexualidade e a própria imagem pessoal. Ele é relativamente raro antes dos 35 anos de idade, mas acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente.

Este tipo de câncer representa nos países ocidentais uma das principais causas de morte em mulheres. As estatísticas indicam o aumento de sua freqüência tantos nos países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nas décadas de 60 e 70 registrou-se um aumento de 10 vezes nas taxas de incidência ajustadas por idade nos Registros de Câncer de Base Populacional de diversos continentes.

No Brasil, o câncer de mama é o que mais causa mortes entre as mulheres.

Sintomas

Os sintomas do câncer de mama palpável são o nódulo ou tumor no seio, acompanhado ou não de dor mamária. Podem surgir alterações na pele que recobre a mama, como abaulamentos ou retrações ou um aspecto semelhante a casca de uma laranja. Podem também surgir nódulos palpáveis na axila.

Fatores de Risco

História familiar é um importante fator de risco para o câncer de mama, especialmente se um ou mais parentes de primeiro grau (mãe ou irmã) foram acometidas antes dos 50 anos de idade. Entretanto, o câncer de mama de caráter familiar corresponde a aproximadamente 10% do total de casos de cânceres de mama. A idade constitui um outro importante fator de risco, havendo um aumento rápido da incidência com o aumento da idade.

A menarca precoce (idade da primeira menstruação), a menopausa tardia (após os 50 anos de idade), a ocorrência da primeira gravidez após os 30 anos e a nuliparidade (não ter tido filhos), constituem também fatores de risco para o câncer de mama. Ainda é controvertida a associação do uso de contraceptivos orais com o aumento do risco para o câncer de mama, apontando para certos subgrupos de mulheres como as que usaram contraceptivos orais de dosagens elevadas de estrogênio, as que fizeram uso da medicação por longo período e as que usaram anticoncepcional em idade precoce, antes da primeira gravidez.

A ingestão regular de álcool, mesmo que em quantidade moderada, é identificada como fator de risco para o câncer de mama, assim como a exposição a radiações ionizantes em idade inferior a 35 anos.


Detecção Precoce


As formas mais eficazes para detecção precoce do câncer de mama são o exame clínico da mama e a mamografia.


O Exame Clínico das Mamas (ECM)

Quando realizado por um médico ou enfermeira treinados, pode detectar tumor de até 1 (um) centímetro, se superficial. O Exame Clínico das Mamas deve ser realizado conforme as recomendações técnicas do Consenso para Controle do Câncer de Mama. A sensibilidade do ECM varia de 57% a 83% em mulheres com idade entre 50 e 59 anos, e em torno de 71% nas que estão entre 40 e 49 anos. A especificidade varia de 88% a 96% em mulheres com idade entre 50 e 59 e entre 71% a 84% nas que estão entre 40 e 49 anos.

A Mamografia


A mamografia é a radiografia da mama que permite a detecção precoce do câncer, por ser capaz de mostrar lesões em fase inicial, muito pequenas (de milímetros). É realizada em um aparelho de raio X apropriado, chamado mamógrafo. Nele, a mama é comprimida de forma a fornecer melhores imagens, e, portanto, melhor capacidade de diagnóstico. O desconforto provocado é discreto e suportável.

Estudos sobre a efetividade da mamografia sempre utilizam o exame clínico como exame adicional, o que torna difícil distinguir a sensibilidade do método como estratégia isolada de rastreamento. A sensibilidade varia de 46% a 88% e depende de fatores tais como: tamanho e localização da lesão, densidade do tecido mamário (mulheres mais jovens apresentam mamas mais densas), qualidade dos recursos técnicos e habilidade de interpretação do radiologista. A especificidade varia entre 82%, e 99% e é igualmente dependente da qualidade do exame. Os resultados de ensaios clínicos randomizados que comparam a mortalidade em mulheres convidadas para rastreamento mamográfico com mulheres não submetidas a nenhuma intervenção são favoráveis ao uso da mamografia como método de detecção precoce capaz de reduzir a mortalidade por câncer de mama.

As conclusões de estudos de meta-análise demonstram que os benefícios do uso da mamografia se referem, principalmente, a cerca de 30% de diminuição da mortalidade em mulheres acima dos 50 anos, depois de sete a nove anos de implementação de ações organizadas de rastreamento.

O Auto-Exame das Mamas


O INCA não estimula o auto-exame das mamas como estratégia isolada de detecção precoce do câncer de mama. A recomendação é que o exame das mamas pela própria mulher faça parte das ações de educação para a saúde que contemplem o conhecimento do próprio corpo.

As evidências científicas sugerem que o auto-exame das mamas não é eficiente para o rastreamento e não contribui para a redução da mortalidade por câncer de mama. Além disso, o auto-exame das mamas traz consigo conseqüências negativas, como aumento do número de biópsias de lesões benignas, falsa sensação de segurança nos exames falsamente negativos e impacto psicológico negativo nos exames falsamente positivos. Portanto, o exame das mamas realizado pela própria mulher não substitui o exame físico realizado por profissional de saúde (médico ou enfermeiro) qualificado para essa atividade.

As Recomendações do Instituto Nacional de Câncer


Em Novembro de 2003, foi realizada a "Oficina de Trabalho para Elaboração de Recomendações ao Programa Nacional de Controle do Câncer de Mama", organizada pelo Ministério da Saúde, através do Instituto Nacional de Câncer e da Área Técnica da Saúde da Mulher, com o apoios das Sociedades Científicas afins e participação de gestores estaduais, ONG's e OG's. A partir dessa Oficina foi desenvolvido um Documento de Consenso para Controle do Câncer de Mama, publicado em 2004, que contém as principais recomendações técnicas referentes à detecção precoce, ao tratamento e aos cuidados paliativos em câncer de mama, no Brasil.


Espero que tu se toque mais.


Até a próxima!

domingo, 21 de março de 2010

Já em clima de páscoa: A química do chocolate

A utilização de chocolate pelos humanos data do período pré-clássico (de 900 AC até 250 DC). Usando a técnica de HPLC (cromatografia líquida de alta resolução, ou, em inglês, High Performance Liquid Chromatography), os cientistas identificaram resíduos de cacau em recipientes de cerâmica maia, utilizados na preparação de alimentos e datados de 600 AC. Numerosas peças de cerâmica e murais maias exibem hieróglifos representando a oferta de chocolate a governantes e deuses. Isto não é surpreendente se considerarmos que a designação latina para cacaueiro, Theobromacacao, significa 'alimento dos deuses'.

Quando, no século XVI, os conquistadores espanhóis introduziram o chocolate na Europa, a versão doce tornou-se um alimento de luxo em todo o continente. Em 1847, Joseph Storrs Fry comercializou, em Inglaterra, as primeiras barras de chocolate, seguido rapidamente pelos irmãos Cadbury.

Desde então, o chocolate é produzido quotidianamente; no entanto, poucos conhecem a forma como afecta o nosso corpo. A comunicação social dá-nos informação, embora, por vezes, confusa, uma vez que alterna entre uma visão condenadora do chocolate, como trazendo grandes riscos para a saúde, e uma outra visão em que exalta os seus benefícios. Afinal, comer uma pequena dose por dia é bom ou é mau?

O chocolate induz uma sensação de prazer que pode ser explicada pelas suas propriedades físicas. O Professor John Harwood e os seus colegas da Universidade de Cardiff acreditam que o elevado conteúdo de estearatos da manteiga de cacau, um ingrediente essencial do chocolate, é responsável pela forma como se derrete e pela sua estabilidade. A manteiga de cacau contém entre 30% e 37% de estearatos na sua composição lipídica. Como consequência, permanece sólida à temperatura ambiente mas, quando consumida, o seu conteúdo em gordura absorve o calor da boca e derrete à temperatura corporal, produzindo o efeito 'derrete-se na boca'.

Desde sempre se sugere que o chocolate possua propriedades afrodisíacas: os Aztecas pensavam que dava vigor aos homens e desinibia as mulheres. Na verdade, existe no chocolate um composto químico, designado triptofano, que é usado pelo cérebro para produzir serotonina, um neurotransmissor que induz sensações de prazer. No entanto, a presença do triptofano no chocolate é em pequena quantidade, pelo que a hipótese de o chocolate provocar um aumento da produção de serotonina é ainda controversa.
A feniletilalanina, que promove sentimentos de atracção, excitação, tonturas e apreensão, também foi identificada no chocolate, mas, uma vez mais, a sua baixa concentração pode ser insuficiente para produzir os efeitos tipicamente associados a este composto.

A teobromina – um estimulante fraco encontrado no chocolate – juntamente com outros compostos químicos, tais como a cafeína, pode ser responsável pela sensação muito característica que se verifica ao comer chocolate. Cientistas do Instituto de Neurociências de San Diego sugerem que o chocolate contém substâncias farmacologicamente activas que produzem um efeito tipo marijuana no cérebro, como a anandamida: um neurotransmissor canabinóide. O chocolate contém também N-oleoletanolamina e N-linoleoletanolamina, que inibem a degradação da anandamida, prolongando os seus efeitos. Sendo assim, os elevados níveis do neurotransmissor podem intensificar as propriedades sensoriais do chocolate (textura e odor), essenciais para induzir o desejo.

O elevado conteúdo em gordura da maior parte dos chocolates – o Dairy Milk da Cadbury contém 30 g de gordura por cada 100 g – implica que, em excesso, o chocolate pode contribuir para a obesidade, responsável por uma série de problemas de saúde, incluindo doenças cardíacas e diabetes. No entanto, nem todas as acusações são justas. A relação que se pensa existir entre o chocolate e o acne tem sido intensivamente estudada ao longo das últimas três décadas. Num estudo de 1969 pela Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, 65 voluntários com acne moderado comeram: ou barras de chocolate contendo 10 vezes mais chocolate do que o encontrado nas barras comerciais, ou barras idênticas sem chocolate. Os voluntários que, durante quatro semanas, consumiram as quantidades excessivas, não revelaram um aumento significativo de acne.

Além disso, não se provou que o chocolate contribua para o aparecimento de cáries dentárias. Pelo contrário, a manteiga de cacau reveste os dentes e ajuda a protegê-los, prevenindo a formação da placa bacteriana. Embora o açucar no chocolate contribua para a formação de cáries, não o faz mais do que o açucar presente noutros alimentos açucarados. Por outro lado, ao alterarem o fluxo sanguíneo para o cérebro e libertarem norepinefrina, alguns dos compostos químicos do chocolate podem causar enxaquecas.

Provavelmente, o melhor compromisso será comer com moderação e escolher, preferencialmente, chocolate preto. Não só contém mais cacau e proporcionalmente menos açucar e gordura do que o chocolate de leite, mas também é rico em compostos antioxidantes, chamados flavonóides. De facto, o chocolate preto contém mais flavonóides do que outros alimentos ricos em antioxidantes, como o vinho tinto. Os flavonóides previnem vários tipos de cancro, protegem os vasos sanguíneos, promovem o bem-estar cardíaco e contrariam a hipertensão moderada.

O chocolate de leite pode não oferecer os mesmos benefícios. Num estudo específico, vários pacientes, em dias separados, comeram 100 g de chocolate preto, 100 g de chocolate preto com um copo (200 ml) de leite gordo, ou 200 g de chocolate de leite. Uma hora mais tarde, aqueles que comeram apenas chocolate preto exibiam uma concentração superior de antioxidantes no sangue, sugerindo que o leite presente no chocolate de leite pode interferir com a absorção dos compostos antioxidantes.

A ciência consegue explicar as várias características do chocolate que contribuem para a sua popularidade, mas ainda se discute como ocorrerão os seus efeitos pós-consumo. Embora a sua comercialização como produto para a saúde seja pouco provável, comer, com moderação, as variedades mais escuras pode ser benéfico. Mas uma coisa é certa: tanto do ponto de vista científico quanto sensorial, nada se compara ao chocolate.

Fonte: www.scienceinschool.org


Acidente Vascular Cerebral

Os trombos (coágulos) formam-se nas paredes do átrio esquerdo em alguns tipos de doenças cardíacas.

Se estes trombos se desperenderem ou se pedaços se soltares deles, seguem para a circulação sistêmica e ocluem as artérias periféricas.

A oclusão de uma artéria que supre o encéfalo resulta em um derrame ou acidente vascular cerebral (AVC), podendo afetar a visão, a cognição ou a função motora de partes do corpo previamente controladas pela área agora lesada (isquêmica) do encéfalo.


Fonte: Anatomia orientada para clínica - Keith L. Moore

(Voltando á ativa) - Dispnéia e o uso de músculos respiratórios

Quando as pessoas com Dispnéia - problemas respiratórios (por ex.,asma) ou com insuficiência cardíaca lutam para respirar, elas utilizam os músculos respiratórios acessórios para ajudar na expansão da cavidade torácica.

Curva-se sobre os joelhos ou sobre os braços de uma cadeira pra fixar o cíngulo do membro superior, de forma que esses músculos possam agir sobre suas fixações costais e expandir o tórax.

Fonte: Anatomia orientada para clínica - Keith L. Moore

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Descoberta revoluciona o tratamento da leucemia

Uma notícia ótima para a saúde: uma descoberta de cientistas americanos que revoluciona o tratamento da leucemia.

A nova técnica elimina a necessidade de buscar doadores de medula compatíveis para salvar quem sofre de leucemia, uma espécie de câncer que ataca os glóbulos brancos presentes no sangue.


As células-tronco retiradas do cordão umbilical de um recém-nascido contêm células que ainda não têm as características que podem provocar a rejeição do sistema imunológico. Por isso, poderiam ser transplantadas em qualquer paciente.

A nova técnica elimina a necessidade de buscar doadores de medula compatíveis para salvar quem sofre deste tipo de câncer.

Os cientistas do centro de pesquisas de câncer Fred Hutchinson, em Seattle, conseguiram, através de uma proteína, aumentar o pequeno número de células-tronco existente num cordão umbilical.

Com a nova técnica, eles multiplicaram 150 vezes a quantidade dessas células, produzindo o suficiente para suprir as necessidades do paciente.

A nova técnica representa potencialmente um avanço revolucionário no tratamento da leucemia. Resultados preliminares mostram que no grupo de dez pacientes que participaram da pesquisa, sete responderam positivamente ao tratamento e não mostram mais sinais da leucemia que sofriam.

Fonte: Jornal Nacional

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Detecção precoce para câncer de mama é aprovada no SUS

Repasse de importantíssimas notícias!
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou, nesta quarta-feira (9), projeto de lei de autoria da Senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE), que inclui, entre as ações de saúde asseguradas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a detecção de biomarcadores para tumores de mama.

Esta medida deve beneficiar mulheres com antecedentes familiares de câncer de mama além de ajudar a modificar o trágico cenário nacional no combate a esta doença – 80% dos casos são diagnosticados tardiamente o que aumenta o risco de morte e mutilações.

Segundo a senadora, a estimativa para 2008 e 2009 é que ocorram 49 mil novos casos de câncer de mama e de 19 mil de colo de útero. O câncer de mama, destacou, é o que causa o maior número de óbitos, especialmente entre mulheres de 40 a 60 anos.

Para que os leitores entendam, biomarcadores são proteínas específicas produzidas pelas células do câncer de mama e que podem ser detectados mesmo antes do tumor se desenvolver. Sua importância na prevenção dos casos em mulheres com história familiar ou que já tiveram a doença é imensa!

Até que enfim boas notícias sobre este assunto a nível de Brasil!

Fonte: O Médico e o Paciente

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Despertar Inadvertido

O despertar inadvertido durante a anestesia (DIDA), ocorre quando um paciente sob o anestesia geral se torna consciente de algum ou de todos os eventos durante a cirurgia ou um dado procedimento e tem a recordação direta daquele(s) evento(s). Por causa do uso rotineiro dos relaxantes neuromusculares durante a anestesia geral, o paciente é frequentemente incapaz de comunicar-se com a equipe cirúrgica se esta complicação ocorrer.

A freqüência do DIDA encontrada em estudos múltiplos varia entre 0,1 e 0,2 por cento de todos os pacientes que submetem-se a anestesia geral.(1,2,3) Levando-se em conta que a administração do anestesia geral chega a 21 milhão (oes) pacientes anualmente nos Estados Unidos, a ocorrência de 20.000 a 40.000 casos da DIDA por ano preocupa bastante. Pacientes tiveram recordações auditivas (48 porcento), sensação de não poder respirar (48 porcento), e dor (28 porcento).(1)
Acima de 50 por cento destes pacientes experimentaram algum tipo de estresse mental no pós anestésico e um certo número deles teve sintomas de síndrome do stress pós traumático.(2,3) Alguns pacientes descrevem estas ocorrências como sua "pior experiência dentro de um hospital," e outras assumiram a determinação de nunca mais submeterem-se outra vez à cirurgia.

A incidência da DIDA é maior nos pacientes em que a dose do anestésico geral teve que ser menor e titulada com cuidado para diminuir efeitos colaterais significativos, por exemplo, pacientes hemodinamicamente instáveis. Os procedimentos identificados como tipicamente desta categoria são as cirurgias cardíacas, obstétricas e do trauma.(4)
Fatores que contribuem ao risco de DIDA incluem o uso crescente da utilização exclusiva de agentes venosos em oposição aos inalatórios e a superficialização prematura da anestesia no fim dos procedimentos, a fim de facilitar a liberação da sala cirúrgica.

Monitorar pacientes sob o anestesia geral para impedir o DIDA pode ser encarado como um desafio. Apesar de uma variedade de métodos de monitorização disponíveis, o DIDA é difícil de reconhecer quando ocorre. Os indicadores fisiológicos típicos e da resposta motora, tal como a pressão arterial elevada, a taquicardia ou o movimento, ou as mudanças hemodinamicas são mascaradas frequentemente pelo uso de agentes paralisantes, usados para conseguir o relaxamento muscular necessário durante o procedimento, bem como a administração simultânea de outras drogas necessárias à manutenção do paciente, tal como betabloqueadores ou bloqueadores de canais de cálcio.


Para superar as limitações de métodos atuais para detectar o DIDA novos métodos estão sendo desenvolvidos, menos afetados pelas drogas usadas tipicamente durante o anestesia geral. Estes dispositivos medem a atividade do cérebro melhor que respostas fisiológicas. Estes dispositivos de eletroencefalografia (EEG) (chamados também monitores do nível de consciência, do nível de sedação ou de profundidade de anestesia) incluem o Índice de Bispectral (BIS)®, freqüência spectral da borda (SEF) e monitores medianos de freqüência (MF). Estes dispositivos podem ter um papel em impedir e em detectar o DIDA nos pacientes com risco mais elevado, minorando a incidência da complicação. Ainda não há evidências suficientes para definir definitivamente o papel destes dispositivos em detectar e em impedir o despertar durante a anestesia; a Joint Commission espera estudos adicionais e mais conclusivos sobre o tema. Em sua revisão do índice Bispectral (o monitor de BIS)®, o Food and Drug Administration determinou que o "uso do BIS ajuda a guiar a administração anestésica e pode ser associado com a redução da incidência de despertar com recordação de eventos em adultos, durante a anestesia geral e/ou sedação."

O profissional da anestesia deve frequentemente pesar os riscos psicológicos do despertar durante anestesia contra os riscos fisiológicos de anestesia excessiva em muitas circunstâncias médicas críticas. A Joint Commission pediu à ASA (American Society of Anesthesiologists) e à AANA (American Association of Nurse Anesthetists) para dirigirem a adequação das práticas de monitoração atuais a respeito dos níveis do anestesia, includo aqueles que envolvem quase nenhuma sustentação tecnológica.

fonte: www.anestesiologia.com.br

domingo, 18 de outubro de 2009

18 de outubro: Dia do Médico

SER MÉDICO

Ser Médico...
aliviar sofrimentos
penetrar fundo nos tormentos
da humanidade

Ser Médico...
dar de si profundamente
sentir a dor do doente
compreender a sua sorte
é se doar por inteiro
é romper o nevoeiro
que separa vida e morte

Ser Médico...
uma vida a dar vidas
a mão que cura feridas
a palavra que conforta
o olhar compadecido
ele é sempre o amigo
que ao bater lhe abre a porta

Ser Médico...
é infundir confiança
ao velho, ao jovem, à criança
é ser de Deus o instrumento
dando alívio à dor alheia
tecer fibra a fibra uma teia
seguindo o seu juramento

Ser Médico...
é ter na mão a leveza
agir com delicadeza
é ver em cada criatura
o pai, a mãe, o filho, o parente
para que seu trabalho apresente
o dom verdadeiro da cura

Ser Médico...
é empreender com carinho
conhecer e traçar seu caminho
sem jamais pensar no tédio
comprimidos não resolvem
nem diplomas se devolvem...
é uma
paixão sem remédio!!!

Poesia de autoria da Drª. Murita L. da Cruz Rios Sampaio


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Neurofibromatose

Tive a oportunidade de presenciar um caso desta doença genética em um estágio em cirurgia de cabeça e pescoço que fiz na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre ano passado.

A neurofibromatose (NF) é uma desordem genética comum, o que significa que muitos profissionais de saúde se deparariam com no mínimo alguns casos durante suas vidas profissionais mas não o suficiente para se tornarem especialistas.

Esta enfermidade é um verdadeiro desafio para diversas especialidades médicas pois sua manifestação e severidade variam em cada paciente.
Em mais de 100 anos em que foi descrito a neurofibromatose por Von Recklinghausen pouco ainda se sabe sobre diversos pontos desta patologia genética. Acredita-se que as novas pesquisas no campo da gene-terapia e de modernos exames trarão resultados animadores e um conforto muito grande para os pacientes e seus familiares. A neurofibromatose tem sido observada em diferentes partes do mundo, em todas as raças, com correlação idêntica entre homens e mulheres, ocorrendo na proporção de 1 para cada 2500 nascimentos. Metade de todos os casos são de novas mutações, isto é, sem antecedentes familiares. É autossômica dominante com penetração completa. Pode aparecer ao nascimento, mas freqüentemente manifesta-se tardiamente, especificamente durante a puberdade, na gravidez ou na menopausa e tem progressão crônica ao longo dos anos. Neurofibromatose é uma desordem e não uma doença e a maioria das pessoas afetadas é saudável. Ainda, apesar disto, indivíduos afetados não podem escapar a uma maior vigilância. Viver com NF clama por força interior, apoio da família e dos amigos assim como também alerta para cuidados médicos. O ideal seria que o diagnóstico fosse feito de modo precoce e o acompanhamento sistemático, pois, deste modo, se poderia melhorar o prognóstico, mesmo que não se impedisse a evolução de desordem.

A maioria das pessoas com NF tem um prognóstico de vida próximo ao da média e deve planejar ter uma vida saudável, completa e racional. Algumas complicações de gravidade de NF1 podem surgir muito cedo como: deformidade da órbita associada a neurofibroma plexiforme e arqueamento da tíbia. Contudo, muitos problemas não são reconhecidos imediatamente após o nascimento e podem se agravar com o desenvolvimento. Se estes sinais não estiverem presentes nos primeiros anos de vida é muito improvável que venham a ocorrer. NF1 é uma desordem genética extremamente variável. Tende a ser progressiva, com sinais e sintomas que aumentam com os anos.

Para as crianças, que apresentam múltiplas manchas café com leite, é necessário o acompanhamento médico a fim de se averiguar novos sinais ou sintomas de neurofibromatose. Se apenas as manchas café com leite são encontradas, o diagnóstico preciso da doença não pode ser feito, e nem descartado. As crianças devem ser acompanhadas quanto aos sinais e sintomas visto que podem surgir no final da infância (após os 6 anos) ou mesmo na adolescência.

Os neurofibromas, quando presentes, desenvolvem-se na pele ou em cavidades do corpo, muitas vezes sem sintomas, podem causar alterações estéticas ou até pressionar nervos. Surgem como pequenos nódulos em crescimento. Esses nódulos cutâneos são moles quando apalpados, e tem a coloração variando entre rósea e roxa.
Na face, o neurofibroma plexiforme pode chegar a cobrir como um avental (manto) até metade do rosto, de modo a prejudicar a respiração, visão, fonação e a própria alimentação. No abdome inferior, e dependendo da extensão, pode chegar a cobrir os órgãos genitais. Se internos, podem causar dor abdominal, alterações gastrointestinais ou obstrução uretral. Os neurofibromas com grandes dimensões podem evoluir para degeneração sarcomatosa. Nestes casos, tornam-se vermelhos, quentes, dolorosos e crescem rapidamente, levando à atrofia, parestesia e fraqueza distal, às vezes invadindo estruturas vitais adjacentes. Gravidez e puberdade podem causar um crescimento em número ou em tamanho dos neurofibromas, e isso em qualquer localização do corpo. Outro fator que poderia influenciar no desenvolvimento das lesões seria o trauma, também é incerto a sua patogenia e ação.As alterações ósseas mais comumente vistas em NF incluem deformidade da coluna e anormalidade no desenvolvimento ósseo. As alterações são manifestações vistas principalmente em NF1 e são incomuns em NF2. Quando um indivíduo é portador do gene para NF1, existe um risco de 50% em cada gravidez de transmissão deste gene para seu filho. Na NF1, o índice de mutação é extremamente alto, sendo que pelo menos metade dos casos representa novas mutações e destas, 80% são de origem paterna.

A neurofibromatose comumente ocorre em uma ou duas gerações. Em algumas famílias, ocorre de quatro a seis gerações.
A NF2 é o tipo mais raro da NF e suas manifestações clínicas são mais severas do que as da NF1. Quase todos os indivíduos com NF2 desenvolverão tumores nos dois nervos auditivos (também chamado tumores do oitavo nervo craniano). Indivíduos com NF2 podem desenvolver um tipo particular de catarata, opacidade subcapsular lenticular juvenil, ou poderá ter outro tipo de problema com os olhos.Todos os indivíduos com NF2 tem risco de perda da audição e visão, por isso é muito importante fazer um acompanhamento com um oftalmologista para que seja detectada qualquer alteração precoce que possa ser tratada. O aparecimento da catarata pode se iniciar por volta dos 20 anos de idade. É muito importante haver uma orientação para o portador de NF e de seu cônjuge a respeito dos riscos de uma gravidez. O médico não deve interferir na decisão do casal. Para os filhos de pacientes com NF, existe um risco real de 50% de recorrência em ambos os sexos, com penetrância vertical de 100% e expressão variável, com mínimo de 25% a 30% de risco moderado a severo. Neurofibromas que crescem mais durante a gravidez podem, em alguns casos, diminuírem de tamanho depois que a criança nascer. Isso pode ocorrer devido ao edema generalizado e acúmulo de líquidos que naturalmente ocorre durante a gravidez ou este crescimento pode ser estimulado pelo aumento dos níveis de estrógeno que estão normalmente associados à gravidez.SintomasA NF1 é caracterizada por importantes manifestações cutâneas tais como manchas café com leite, efélides e neurofibromas. Outras características incluem nódulos de Lisch, displasia de ossos longos, glioma óptico, e neurofibroma plexiforme. A NF2 manifesta-se pelo acometimento de neuromas acústicos, normalmente bilateral em 95% dos pacientes e opacidade subcapsular posterior do cristalino presentes em 45% dos indivíduos com NF2. Podendo apresentar também meningiomas, schwannomas, gliomas. Algumas dificuldades existem na clínica de indivíduos acometidos pela NF. É muito difícil prever o local e a gravidade das próximas lesões.

Algumas especialidades médicas são mais atuantes no acompanhamento de pacientes com NF como o pediatra, geneticista, otorrinolaringologista, oftalmologista, neurocirurgião, radiologista e dermatologista. Muitos pacientes não se enquadram corretamente dentro dos critérios de NF1 e NF2, apesar de serem portadores de NF. Devido a isso, tem sido proposta além de NF1 e NF2 a existência de outras formas de NF. Algumas dessas formas podem ser variantes dos alelos da NF. Outras podem ser simplesmente manifestações raras da forma comum da NF.
TratamentoAtualmente não existe cura para a NF, porém existe uma gama de tratamentos alternativos que consistem na ressecção das lesões que comprometem a função e/ou estética através de técnicas cirúrgicas:

1 - Cirurgia ortopédica para correção de pseudo-artrose e escoliose;
2 - Cirurgia plástica na remoção de tumores, principalmente, em áreas de atrito (porém se tem observado alto índice de recidiva desses tumores) e os tumores que causam alguma alteração funcional do paciente.
3 - Neurocirurgia para prevenir sérias complicações decorridas do desenvolvimento de tumores cerebral e espinhal.


Existem projetos de estudo em curso com novos medicamentos para o tratamento de neurofibroma plexiforme e glioma óptico, cujas lesões são progressivas, em adultos e crianças com NF1.
A neurofibromatose contribui para múltiplos estressores psicossociais.

Problemas no desenvolvimento da expressão podem afetar o desenvolvimento acadêmico, a auto-estima e as atividades sociais do indivíduo.
Com os recentes avanços na área da genética, atualmente há meios para se diagnosticar a NF. Em alguns casos é possível fazer um diagnóstico pré-natal. Por isso, a orientação de um especialista é imprescindível. A neurofibromatose é uma doença genética comum, o que significa que muitos profissionais de saúde se deparariam com no mínimo alguns casos durante suas vidas profissionais mas não o suficiente para se tornarem especialistas. Esta enfermidade é um verdadeiro desafio para diversas especialidades médicas pois sua manifestação e severidade variam em cada paciente. Em mais de 100 anos em que foi descrito a neurofibromatose por Von Recklinghausen pouco ainda se sabe sobre diversos pontos desta patologia genética. Acredita-se que as novas pesquisas no campo da gene-terapia e de modernos exames trarão resultados animadores e um conforto muito grande para os pacientes e seus familiares.

Fonte: Centro nacional de Neurofibromatose