segunda-feira, 5 de abril de 2010

Blogagem coletiva - Colorindo (e espalhando) a vida - Cor rosa - Câncer de Mama

Olá pessoas!

Fui convidada pela minha sogrita do Blog da Marli a participar da blogagem coletiva, iniciativa muito bacana da Glorinha, do blog Café com Bolo.

A cor desta semana é a rosa, e a associei à saúde da mulher, mais precisamente a este assunto tão temido para tantas mulheres, o Câncer da Mama.

Acho que sou uma ótima pessoa para dar um relato sobre isso, pois tive o convívio lado-a-lado com este inimigo oculto. Não. Não fui eu que tive.

Para quem não sabe, perdi minha mãe de câncer aos 39 anos de idade. A primeira vez que o maldito apareceu foi na mama, maligno, ainda em torno do seus 30 anos.

Houve a estirpação total da mama, as muitas plásticas, as diversas sessões de quimioterapia, afim de destruir as células cancerígenas, destruindo muito mais do que isso... Destruiu o ânimo, destruiu a paciência, a feminilidade. Ah, a feminilidade! O quanto isso machucou perder. Perder o cabelo, a pele macia, os olhos brilhantes de um azul profundo.

Mas tudo passou. O cabelo cresceu, o pessimismo deu lugar a esperança, e a esperança se misturava com um tanto de receio.

Um certo dia o Dr. disse que tudo estava ótimo, e que o perigo antes eminente havia passado.

Sensação de alívio. Indas e vindas de médicos e exames agora apenas de ano em ano. E tudo permaneceu tranquilo mais uns aninhos. Dois pra ser mais exata.

Então em um exame de rotina padrão descobriu-se algo no fígado.
Ninguém queria falar a verdade pois sabia que naquele caso a verdade a mataria mais rápido.

Hepatite, foi a explicação dada ao amarelão da pele e dos olhos, e mais tarde a uma magresa cadavérica que tirou toda sua jovialidade aparente.


Mas foi tudo tão rápido desta vez. Não tinha mais o que se fazer...


Isso foi a pouco mais de 10 anos atrás.

Este post tem o objetivo além de trazer este meu relato como filha, passar um pouquinho mais de informação. E isso faço como mulher e como futura médica.

Segue um texto informativo do INCA.

O câncer de mama é provavelmente o mais temido pelas mulheres, devido à sua alta freqüência e sobretudo pelos seus efeitos psicológicos, que afetam a percepção da sexualidade e a própria imagem pessoal. Ele é relativamente raro antes dos 35 anos de idade, mas acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente.

Este tipo de câncer representa nos países ocidentais uma das principais causas de morte em mulheres. As estatísticas indicam o aumento de sua freqüência tantos nos países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nas décadas de 60 e 70 registrou-se um aumento de 10 vezes nas taxas de incidência ajustadas por idade nos Registros de Câncer de Base Populacional de diversos continentes.

No Brasil, o câncer de mama é o que mais causa mortes entre as mulheres.

Sintomas

Os sintomas do câncer de mama palpável são o nódulo ou tumor no seio, acompanhado ou não de dor mamária. Podem surgir alterações na pele que recobre a mama, como abaulamentos ou retrações ou um aspecto semelhante a casca de uma laranja. Podem também surgir nódulos palpáveis na axila.

Fatores de Risco

História familiar é um importante fator de risco para o câncer de mama, especialmente se um ou mais parentes de primeiro grau (mãe ou irmã) foram acometidas antes dos 50 anos de idade. Entretanto, o câncer de mama de caráter familiar corresponde a aproximadamente 10% do total de casos de cânceres de mama. A idade constitui um outro importante fator de risco, havendo um aumento rápido da incidência com o aumento da idade.

A menarca precoce (idade da primeira menstruação), a menopausa tardia (após os 50 anos de idade), a ocorrência da primeira gravidez após os 30 anos e a nuliparidade (não ter tido filhos), constituem também fatores de risco para o câncer de mama. Ainda é controvertida a associação do uso de contraceptivos orais com o aumento do risco para o câncer de mama, apontando para certos subgrupos de mulheres como as que usaram contraceptivos orais de dosagens elevadas de estrogênio, as que fizeram uso da medicação por longo período e as que usaram anticoncepcional em idade precoce, antes da primeira gravidez.

A ingestão regular de álcool, mesmo que em quantidade moderada, é identificada como fator de risco para o câncer de mama, assim como a exposição a radiações ionizantes em idade inferior a 35 anos.


Detecção Precoce


As formas mais eficazes para detecção precoce do câncer de mama são o exame clínico da mama e a mamografia.


O Exame Clínico das Mamas (ECM)

Quando realizado por um médico ou enfermeira treinados, pode detectar tumor de até 1 (um) centímetro, se superficial. O Exame Clínico das Mamas deve ser realizado conforme as recomendações técnicas do Consenso para Controle do Câncer de Mama. A sensibilidade do ECM varia de 57% a 83% em mulheres com idade entre 50 e 59 anos, e em torno de 71% nas que estão entre 40 e 49 anos. A especificidade varia de 88% a 96% em mulheres com idade entre 50 e 59 e entre 71% a 84% nas que estão entre 40 e 49 anos.

A Mamografia


A mamografia é a radiografia da mama que permite a detecção precoce do câncer, por ser capaz de mostrar lesões em fase inicial, muito pequenas (de milímetros). É realizada em um aparelho de raio X apropriado, chamado mamógrafo. Nele, a mama é comprimida de forma a fornecer melhores imagens, e, portanto, melhor capacidade de diagnóstico. O desconforto provocado é discreto e suportável.

Estudos sobre a efetividade da mamografia sempre utilizam o exame clínico como exame adicional, o que torna difícil distinguir a sensibilidade do método como estratégia isolada de rastreamento. A sensibilidade varia de 46% a 88% e depende de fatores tais como: tamanho e localização da lesão, densidade do tecido mamário (mulheres mais jovens apresentam mamas mais densas), qualidade dos recursos técnicos e habilidade de interpretação do radiologista. A especificidade varia entre 82%, e 99% e é igualmente dependente da qualidade do exame. Os resultados de ensaios clínicos randomizados que comparam a mortalidade em mulheres convidadas para rastreamento mamográfico com mulheres não submetidas a nenhuma intervenção são favoráveis ao uso da mamografia como método de detecção precoce capaz de reduzir a mortalidade por câncer de mama.

As conclusões de estudos de meta-análise demonstram que os benefícios do uso da mamografia se referem, principalmente, a cerca de 30% de diminuição da mortalidade em mulheres acima dos 50 anos, depois de sete a nove anos de implementação de ações organizadas de rastreamento.

O Auto-Exame das Mamas


O INCA não estimula o auto-exame das mamas como estratégia isolada de detecção precoce do câncer de mama. A recomendação é que o exame das mamas pela própria mulher faça parte das ações de educação para a saúde que contemplem o conhecimento do próprio corpo.

As evidências científicas sugerem que o auto-exame das mamas não é eficiente para o rastreamento e não contribui para a redução da mortalidade por câncer de mama. Além disso, o auto-exame das mamas traz consigo conseqüências negativas, como aumento do número de biópsias de lesões benignas, falsa sensação de segurança nos exames falsamente negativos e impacto psicológico negativo nos exames falsamente positivos. Portanto, o exame das mamas realizado pela própria mulher não substitui o exame físico realizado por profissional de saúde (médico ou enfermeiro) qualificado para essa atividade.

As Recomendações do Instituto Nacional de Câncer


Em Novembro de 2003, foi realizada a "Oficina de Trabalho para Elaboração de Recomendações ao Programa Nacional de Controle do Câncer de Mama", organizada pelo Ministério da Saúde, através do Instituto Nacional de Câncer e da Área Técnica da Saúde da Mulher, com o apoios das Sociedades Científicas afins e participação de gestores estaduais, ONG's e OG's. A partir dessa Oficina foi desenvolvido um Documento de Consenso para Controle do Câncer de Mama, publicado em 2004, que contém as principais recomendações técnicas referentes à detecção precoce, ao tratamento e aos cuidados paliativos em câncer de mama, no Brasil.


Espero que tu se toque mais.


Até a próxima!

11 diagnósticos:

marliborges disse...

Oi chelle, adorei teu post, ótimos ensinamentos. Não esquece de ir lá no Blog da Glorinha e avisar nos comentários, que tu postou a cor rosa.

Glorinha L de Lion disse...

Oi Chelles, bem vinda ao meu Café com Bolo e à blogagem coletiva!
Falar sobre esse doença, ao mesmo tempo que é incomodo é necessário!
Toda mulher deve se cuidar!
Obrigada por participar de nossa blogagem! Beijos rosinhas pra vc!

Manuela Freitas disse...

Querida,
Essa foi realmente uma experiência terrível e difícil de esquecer. Todos os seus alertas são positivos e oportunos.
Beijinhos e obrigada,
Manú

Lu Souza Brito disse...

Chelle´s,

Parabéns pelo post tão informativo e tão cheio de coragem para expor um caso tão doloroso, principalmente se tratando de um familiar seu.
Já convivi com uma pessoa que passou por isso e presenciei o quão doloroso é isso tudo. Graças a Deus esta semana faz 10 anos que ela descobriu o cancer e precisou tirar a mama, mas agora está bem, vive feliz, aproveita melhor a vida, enfim...
Este assunto é muitissimo importante e ainda hoje muitos evitam falar a respeito, o que é um erro.
Eu mesma, semana passada, procurei a minha ginecologista, após constatar dois carocinhos, um em cada seio,que doem muito quando estou entrando no período menstrual. Pode nao ser nada, espero mesmo que nao seja, mas nao vou conviver com a dúvida, por isso, já foi solicitado um ultrassom das mamas, ainda não tenho idade para fazer a mamografia.
Parabéns e obrigada por compartilhar!
Beijos

Tati Pastorello disse...

Chelle, grande iniciativa a de aproveitar a postagem coletiva para informar sobre algo que todas tememos. Você está conseguindo transmutar sua dor em auxílio e isso é muito nobre. Parabéns. Um beijo.

Bruh Barz disse...

Oieee Chelle! Valeu pela visitinha, volte sempre hein!
Pois é, cancer é coisa séria e pra nós mulherres de mama é pior ainda!

Tem q cuidar, fazer os exames e ir regularmente ao gineco.

Bom, Bjokinhas! Tô seguindo!

http://belezzafemininna.blogspot.com

Beth/Lilás disse...

Oi, Chelle!
Muito bacana a sua participação nesta blogagem e ainda por cima dando importância a este item que é dos mais sérios e necessários serem falados, lembrados, alertados para todas nós, mulheres cor de rosa.
Parabéns!
beijos cariocas rosas

Aline Schons disse...

Ai, um assunto tão próximo da gente (e de todo mundo) e ao mesmo tempo tão complexo. Exatamente como tu falaste, é uma doença que mexe não só com o corpo da mulher, mexe também com a cabeça e principalmente com a autoestima. Teu post me fez lembrar também que no final de semana passado vi uma matéria na tv falando sobre câncer de mama versos filhos. A matéria dizia que se acreditava que uma mulher que teve câncer de mama correria mais riscos de ter a doença novamente, se tivesse filhos. Porém, graças a mulheres que acabaram ficaram grávidas depois da doença, por acaso na maioria das vezes(sem planejar), notou-se que o número de reincidência diminuía, provando ser na prática exatamente o contrário do que se imaginava. Enfim, é só uma observação, além da amamentação ser favorável ao não aparecimento de futuros nódulos, a gravidez também acaba o sendo. Achei interessante e, provavelmente, não seja tão por acaso que hoje as mulheres têm câncer de mama cada vez mais cedo, visto que ela acaba passando por essas duas etapas (gravidez e amamentação) cada vez mais tarde ou opta por não passa-las, ou seja, não tem filhos.

Bjus!

Chica disse...

Interessante e esclarecedora postagem!beijos,tudo de bom,chica

Silenciosamente ouvindo... disse...

Chelle o seu alerta foi
importante e eu sei bem do que falo.
Obrigada por isso.
Conheci o seu blogue através
do dia de X cor, me registei
como seguidor.Virei mais vezes.
Espero possa visitar o meu.Bjs./Irene

Julianne disse...

Michelle! De vez em quando dou uma espiadinha no teu blog e vim pra elogiar o teu texto e a forma como tu abordaste esse assunto. Que doença terrível que é o câncer, e o único tratamento é a prevenção, algo que tu explicou de forma clara.


Um beijo pra ti!